A nacionalidade não é o que conta
Uma das dúvidas mais comuns é se um estrangeiro pode pedir crédito habitação em Portugal. Pode. Os bancos não decidem pela nacionalidade, mas por três fatores: onde tem a residência fiscal, de onde vem o rendimento e que histórico de crédito consegue demonstrar.
Por isso, um cidadão brasileiro a viver e a trabalhar em Lisboa há três anos pode ter condições muito parecidas às de um português, enquanto um português emigrado em França é analisado como um caso com rendimentos no estrangeiro.
Os quatro perfis mais comuns
Cada perfil tem regras e documentos diferentes. Saber em qual se encaixa é o primeiro passo.
- Residente em Portugal (com título de residência ou certificado de registo da UE): acesso às mesmas condições de um português, incluindo financiamento até 90% na habitação própria permanente.
- Título de residência temporário: o crédito é possível, mas os bancos olham com atenção para a validade do título e para a estabilidade do contrato de trabalho.
- Não residente: a casa é tratada, em regra, como habitação secundária, com financiamento mais baixo e uma entrada maior.
- Emigrante português: tem nacionalidade portuguesa, mas rendimentos no estrangeiro. Alguns bancos têm condições próprias para estes clientes.
Os documentos que vai precisar
A lista exata depende do banco e do perfil, mas a base é quase sempre esta:
- Passaporte e título de residência (ou certificado de registo de cidadão da UE)
- NIF português e, se for residente, número de Segurança Social
- Comprovativos de rendimentos: recibos de vencimento e contrato de trabalho, ou declaração do empregador
- Declaração de impostos (IRS em Portugal ou a do país de residência)
- Extratos bancários dos últimos 3 a 6 meses
- Mapa de responsabilidades de crédito do Banco de Portugal ou relatório equivalente do país de origem
Documentos em línguas que o banco não aceite precisam de tradução certificada. Antes de gastar dinheiro em traduções, confirme quais são mesmo necessárias.
Quanto é que o banco financia
Para residentes, o limite habitual é de 90% do valor da casa na habitação própria permanente. Os jovens até 35 anos com domicílio fiscal em Portugal podem ainda ter acesso à garantia pública e financiar até 100%: a nacionalidade não é critério de exclusão.
Para não residentes, o financiamento é normalmente mais baixo e cada banco tem a sua política. Conte com uma entrada maior e com os custos de compra (impostos, escritura e registos) pagos com capitais próprios.
O processo, passo a passo
- Análise inicial: perceber o seu perfil, rendimentos e quanto pode financiar.
- Documentação: reunir e, se necessário, traduzir os documentos.
- Pré-aprovação: submeter aos bancos e comparar propostas.
- Escolha da casa e contrato-promessa: com o crédito já encaminhado.
- Avaliação e aprovação final: o banco avalia o imóvel e confirma as condições.
- Escritura: presencial ou por procuração, se estiver fora do país.
Os erros mais comuns
- Escolher a casa antes de saber quanto o banco financia.
- Subestimar os custos de compra, que podem chegar a 7% ou 8% do valor do imóvel.
- Abrir conta e pedir crédito num só banco, sem comparar.
- Esquecer que o título de residência tem de estar válido durante o processo.